Consciência Negra: o legado de Zumbi e a resistência que ainda precisamos enfrentar
Deputado estadual Prof. Josemar relembra a história de Palmares, critica as chacinas no Rio e reafirma o mandato como instrumento de luta antirracista.
20 nov 2025, 14:41 Tempo de leitura: 2 minutos, 55 segundos
Deputado estadual Prof. Josemar relembra a história de Palmares, critica as chacinas no Rio e reafirma o mandato como instrumento de luta antirracista.
O Dia da Consciência Negra não é apenas uma reflexão no calendário; é um compromisso ancestral que carrego como professor, parlamentar e filho da diáspora africana. Todo 20 de novembro me atravessa como memória, denúncia e responsabilidade.
Estive no Ato Ecumênico no Monumento a Zumbi dos Palmares e, mais tarde, marchei ao lado do povo na XIV Marcha da Periferia. Esses espaços não são cerimônias ou rituais vazios: são reencontros com nossa história, reencontros com a força coletiva que nos manteve vivos diante de séculos de violência. Quando piso nesse chão sagrado, lembro que Zumbi, Dandara e tantos nomes apagados pela história plantaram sementes que ainda germinam em cada favela, quilombo urbano, terreiro e escola deste país.

Foto: Danielle Marinho
E por que o 20 de novembro? Porque é o dia que marca o assassinato de Zumbi do Palmares, em 1695, mas não marca o fim de nada. Palmares não acabou ali. Palmares era um grande reino clandestino, construído na Serra da Barriga, entre Alagoas e Pernambuco, com aldeias auto-organizadas. Resistiu por mais de cem anos contra portugueses e holandeses. Resistiu porque o povo negro nunca aceitou ser escravizado, nunca foi passivo, nunca deixou de lutar.
Esse legado faz do 20 de novembro uma convocação. E, infelizmente, neste ano, essa convocação vem carregada de dor. O Novembro Negro começou marcado por mais uma chacina promovida pelo governo Cláudio Castro. Cento e vinte e uma vidas negras interrompidas! Vidas que não voltarão! Não podemos naturalizar isso. Chacina não é política pública. Terror de Estado não é segurança. E não existe “pena de morte” no Brasil. O que existe é a seletividade racial que define quem vive e quem morre, quem é visto como cidadão e quem é tratado como alvo.
Eu nunca vi uma operação policial letal em bairros ricos e majoritariamente brancos. Nunca vi o aparato do Estado avançar com essa violência sobre Leblon, Ipanema ou Barra da Tijuca. Mas vejo, repetidas vezes, a juventude negra sendo criminalizada, camelôs tratados como inimigos, ocupações de moradia reprimidas como se pobreza fosse crime, e balas “perdidas” que sempre encontram o mesmo destino: nossos corpos.
Por isso, quando marcho no 20 de novembro, não marcho apenas pela memória, marcho pelo presente e pelo futuro. Marcho por políticas públicas reais, por dignidade, por direitos. Marcho por reparação histórica. Marcho porque nosso povo merece viver.
No meu mandato, tenho me dedicado a isso. À luta pelas cotas raciais. À construção de políticas de combate ao racismo. À denúncia constante da violência estatal que tenta nos silenciar. À busca por leis como a Lei Vini Júnior, que enfrenta as estruturas racistas que insistem em nos ferir.
A Consciência Negra é um compromisso diário. É o dever de honrar quem veio antes de nós e proteger quem virá depois. É garantir que os nomes de Zumbi, Dandara, dos quilombos de ontem e das periferias de hoje, continuem vivos.
Eu sigo comprometido. No Parlamento, nas ruas, nas escolas, nas favelas e em cada território onde o povo negro resiste. Porque enquanto houver injustiça, enquanto houver desigualdade, enquanto houver racismo, o 20 de novembro não é um dia, é uma necessidade histórica!