Sempre alertas pelas vidas negras- Por Professor Josemar
A condenação de dois dos três assassinos do jovem congolês Moise Kabagambe, de 24 anos de idade, morto em janeiro de 2022, traz conforto, mas ainda é insuficiente.
18 mar 2025, 15:01 Tempo de leitura: 1 minuto, 29 segundos
A condenação de dois dos três assassinos do jovem congolês Moise Kabagambe, de 24 anos de idade, morto em janeiro de 2022, traz conforto, mas ainda é insuficiente.
Falta o julgamento do terceiro criminoso, que usou artifícios jurídicos para evitar ir ao júri popular junto com os outros.
Esperamos que a manobra seja ineficaz e ele tenha o mesmo destino que os seus comparsas.
O caso do Moises comoveu todo o país e deixa claro o racismo, o desprezo pelos negros e a praticamente certeza da impunidade.
Foi um assassinato brutal, por espancamento, numa área pública na Barra da Tijuca, à frente de muitos que passavam e não se manifestaram.
Pauladas, socos e chutes que não eram apenas contra Moises, era contra todos os negros que se manifestam por seus direitos. No caso dele por cobrar o pagamento pelo trabalho num quiosque de praia.
Naquele momento atingiu um jovem que saiu do Congo e junto com a família buscava novas oportunidades de vida no Brasil.
Mas podia ser qualquer outro jovem negro, como os milhares que são assassinados todos os anos no Brasil.
Não por acaso, as manifestações em solidariedade a Moises, ocorreram diversas partes do mundo.
Agora, é simbólico que o julgamento tenha sido concluído nessa semana, quando realizamos em todo o país atos no chamado 21 dias contra o racismo.
Infelizmente é uma luta de todo o dia e não podemos esmorecer. Temos que estar atentos e alertas para evitarmos os novos Moises, novas Ágatas, novos João Pedro, Cláudias que se repetem.
Não ao racismo, não à violência contra os negros. Vamos juntos!
*Professor Josemar (PSOL-RJ) é deputado estadual e presidente da Comissão de Combate às Discriminações da Alerj.